sábado, 22 de dezembro de 2007

ORAÇÃO PARA A CEIA DE NATAL

(Antes da ceia reúne-se a família junto ao Presépio. Acendem-se uma ou duas velas, e apagam-se as luzes de casa. Inicia-se a Leitura do Evangelho e às palavras «Anuncio-vos uma grande alegria» acendem-se as luzes da sala.)

1. Reunir a família.
2. Em nome de Pai e do Filho e do Espírito Santo.
3. Leitura do Evangelho de S. Lucas 2, 8-20.
4. Oração.
5. Cântico de Natal que a família conheça.


Oração
Senhor nosso Pai, nós Vos louvamos
e bendizemos porque nos concedeis
a alegria de celebrar os 2007 anos
do nascimento de Jesus Cristo,
o Salvador do mundo.
Nós Vos damos graças por todas as manifestações do vosso amor.
Dai-nos, Senhor o Vosso Espírito Santo para que Jesus nasça e cresça nos nossos corações e seja, no centro da nossa família, a fonte da vida e do amor.
Guardai no Vosso amor os nossos familiares e amigos que estão longe
e que hoje lembramos com saudade,
e concedei aos nossos defuntos
a glória do Céu.
Dignai-vos também abençoar
a nossa mesa e a nossa casa,
para que a alegria do Natal dê abundantes frutos de caridade em cada um de nós.
Por nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo. Amen!
(Pai Nosso, Avé Maria, Glória ao Pai.)

Bodas

Quando foi chegado o tempo
em que de nascer havia,
assim como o desposado.
do seu tálamo saía
abraçando a sua esposa,
que em seus braços trazia;
ao qual a bendita Madre
em um presépio poria.
Os homens davam cantares,
os anjos a melodia,
festejando o desposório
que entre aqueles dois havia.
(SÃO JOÃO DA CRUZ)

Natal, as bodas de Deus


O teólogo Xabier Pikaza leu este ano o mistério do Natal pelos olhos de São João da Cruz. Ao mistério do Nascimento chamou as Bodas de Deus.
São João da Cruz concordaria. Eu também; e é de Pikaza que retiro os pensamentos que seguem.
Pikaza vê o Advento como a experiência de enamoramento de Deus, que se abre e se oferece a todos os homens e mulheres. Só um Deus loucamente enamorado pela Humanidade a poderia ter criado e sustentado a vida. Porque também dela o Filho se enamorou, quis dizer-nos o seu amor pelo mundo.
É bonito dizer que Deus existe e é um Deus enamorado; porém, tal exige que esse dizer se diga, no comum da vida, com palavras e com vidas apaixonadas por Deus. Dizer que o Emanuel que nasce está enamorado por mim, exige que eu mostre um rosto e um coração enamorado e capaz de amar.
O enamoramento da Santíssima Trindade pela Humanidade fez o Filho nascer, como um acto de busca apaixonada da esposa, a Humanidade.
E aonde iremos nós agora, Igreja apaixonada, provar o nosso enamoramento? Havemos de ir buscar a esposa aos baixios da vida, como fez Cristo, que baixando, nos veio buscar-amar a nós. Iremos buscá-la ao lugar onde ela se encontra: nos doentes dos hospitais, nos famintos dos subúrbios das grandes cidades, nos solitários das ruas perdidas, nos recantos do mundo sem alma.
Irei buscar uma esposa, disse Cristo. E essa esposa a quem Ele ama com amor de igualdade e apaixonadamente somos nós.
Sejamos exploradores do amor e não apenas de petróleo ou de ouro. Sintamo-nos impelidos a buscar pessoas para amar, procuremos uma esposa a quem servir no amor.
Procuremos para sermos procurados. Não saiamos buscando cheios apenas de razões, sabendo que sabemos o que sabemos e ninguém mais sabe algo... Porque também eu devo deixar que me busquem e me encontrem, devo deixar-me amar e surpreender pelo amor. Onde quer que eu esteja, no alto duma torre ou na cave duma prisão, que ali se abram as portas do amor que é Deus.
São João da Cruz afirma que o Filho amou o mundo e por isso se inseriu neste cativeiro, nascendo como humano neste lago de baixeza em que se encontram os homens oprimidos. Só assim. Só fazendo-se carne da carne de Maria, só fazendo-se verdadeiro «filho do homem», o Filho de Deus faz sua a Humanidade, tomando-a nos braços, acariciando‑a com ternura e elevando-a à Sua glória.
Para o poeta (e teólogo) São João da Cruz, o Filho de Deus actua como um esposo amante. Ele sai do tálamo (sinal de geração de vida e de união) levando nos braços a esposa, a fim de a conduzir de novo para Deus. Ele é o esposo-amigo que com poderosa ternura resgata e eleva a sua esposa para a ela sempre se abraçar.
O Filho de Deus apresenta-se também como o esposo envolvido no pranto. No Natal, os homens cantam cantares e os anjos entoam melodias. No primeiro Natal o mundo cantou música digna do Céu, enquanto, Deus, no presépio, chorava e gemia.
As bodas de Deus são naturalmente as bodas da Humanidade. O poeta consegue surpreender-nos com uma troca misteriosa, na qual se vê «o pranto do homem em Deus» (que é Cristo chorando no presépio) «e no homem a alegria dos céus», que se vê, ou melhor, se ouve, nos cantares dos pastores. Vejamos, o princípio e sentido do Natal é que a Humanidade se alegre e se case, se anime a viver e a compartilhar a vida.
Maria de Nazaré é obviamente a mulher das bodas. É esse o espanto da incarnação, o centro da fé cristã. São João da Cruz tomou a Virgem Mãe como testemunha desse espanto, como exemplo e modelo de todos os crentes. Ela é a Virgem do acontecimento — «A donzela que se chamava Maria, de cujo consentimento o mistério se fazia» —, porque com o seu Sim deixa que Deus se humanize dentro dela. Maria é a mãe da contemplação assombrosa, que descobre e venera a grandeza de Deus no choro e pequenez de Cristo que nasceu.
Ao chegar aqui, parecendo que se deveria iniciar o relato da vida de Jesus e da sua Páscoa, São João da Cruz fecha o seu poema. E fica a contemplar.

Chama 652, 23 Dezembro 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Nova Bem-aventurada Carmelita

B. Maria Josefina de Jesus Crucificado

Josefina Catanea nasceu em Nápoles, no dia 18 de Fevereiro de 1894. Aos 10 anos fez a Primeira Comunhão e recebeu o Crisma. A sua adolescência ficou marcada por uma vida impecável, quer na fé quer nos bons costumes e na prática das obras de caridade.
Aos 14 anos foi passar a Novena de São José ao recém-fundado Carmelo napolitano de Ponti Rossi. Ali se encontrava a sua irmã mais velha, Antonieta. E por umas e outras razões já não regressou a sua casa.
Era de fraca saúde. As doenças sucediam-se invariavelmente. Era, porém, muito activa e trabalhadora.
Aos 24 anos, no dia 24 de Novembro de 1918, esteve a ponto de morrer por causa da gripe. Curou-se por intercessão de S. José.
No dia 6 de Junho 1922 sofreu horríveis ataques de coração. Os sofrimentos pioraram a partir do dia 10 de Agosto seguinte.
No dia 26 de Junho de 1923 levaram-lhe o braço de São Francisco Xavier, e ao tocar a relíquia ficou curada.
No dia 30 de maio de 1933 tomou hábito de Carmelita Descalça no Carmelo de S. José e S. Teresa, aprovado canonicamente no ano anterior.
No dia 6 de Agosto de 1933 professou e recebeu o véu.
Apesar das suas dificuldades físicas foi eleita Subpriora no dia 2 de Abril de 1934.
No dia 6 de Agosto de 1945 foi eleita Vigária.
No dia 29 de Setembro de 1945 foi eleita Prioresa, apesar de apenas se poder movimentar em cadeira de rodas.
Morreu no dia 14 de Março e de 1948.
A sua fama de Santidade era tão grande que os fiéis acorreram em tão grande número que tardo 13 dias em ser sepultada. Durante esses dias não se revelaram quaisquer sinais de degradação.
Estes factos moveram as autoridades eclesiásticas a iniciar a sua Causa de Canonização, cujo Processo Ordinário ocorreu entre o dia 27 de Dezembro de 1948 e 18 de Fevereiro de 1952.
No dia 3 de Janeiro de 1987 foi promulgado o Decreto sobre a heroicidade das suas virtudes.
Hoje, 17 de Dezembro de 2007, o Santo Padre Bento XVI, autorizou a promulgação do Decreto sobre o milagre atribuído à sua intercessão.
A sua beatificação ocorrerá em Nápoles em data a determinar.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Domingo Gaudete4

Cristo está tão próximo que João Baptista, no Evangelho de hoje, já o assinala presente no meio de nós. Aos fariseus que perguntam ao Baptista: «Tu quem és?», ele respondeu com a verdade, ele «Confessou e não negou», e depois disse: «Porém, no meio de vós está aquele a quem não conheceis: esse é aquele que há-de vir.»
No meio de vós, quer dizer, na Eucaristia; quer dizer, nos sacrários do mundo inteiro!
No livro do Apocalipse, Ele diz: «Eis que estou à porta e chamo». Ele já está no meio de nós, Ele está a chamar.
Aquele a quem João Baptista — o maior dos filhos de mulher — não é digno de desatar a correia das sandálias, está à porta de cada homem e cada mulher esperando que a abram...
E a Igreja ao vê-lo chegar, alegra-se. E a alegria da Igreja ilumina a nossa vida e abre portas à nossa alegria.
A nossa alegria está in Domino. A Igreja recorda-nos o que bem sabiam os primeiros cristãos: que a verdadeira alegria «está no Senhor»! Vem desde cima e desde dentro, desde Deus e desde a fé! Ela não se encontra à mercê dos acontecimentos, nem dependes das oscilações da vida. Ela tem as suas raízes no próprio Deus, bem firmadas na esperança: «Alegrai-vos sempre no Senhor».
A alegria que celebramos antecipadamente neste Domingo é um desafio ao cristão para que injecte a alegria divina nas coisas humanas, aquela alegria que elas por si sós não podem ter nem dar.
O mundo anda triste, porque busca a alegria que só Deus pode dar... e não a busca em Deus!
A nossa alegria não é a de estarmos satisfeitos, mas a que recebemos de Deus por sermos seus filhos. A alegria do Advento é a alegria cristã de sempre, «porque o Senhor está próximo».

Domingo Gaudete3

Especialmente esperante e jubiloso é o canto da Igreja do silêncio, a Igreja perseguida, a Igreja da China e dalgumas regiões da Índia e outras. Apesar das cadeias e das repressões, também a Igreja perseguida é convidada para a alegria, porque o Senhor vem para todos nós como Libertador. Hoje os sacerdotes de Deus proclamam no altar igual convite em todo o orbe terrestre: Gaudete in Domino semper, iterum dico, gaudete! Mesmo sobre aqueles que mais se sentem acabrunhados ou martirizados pelo sofrimento, sobre todos cai hoje uma alegria sobrenatural que é dom de Deus para enfrentar as dificuldades.

Domingo Gaudete2

No Domingo passado, animados pela liturgia da Igreja, os nossos corações abriram-se ainda mais para os caminhos do Senhor que vem. O Deus da esperança vai fazendo em nós a sua boa obra, e a paz inunda o coração dos cristãos que vivem da fé e a procuram confirmar com obras.
Continuamos em Advento.
A Igreja caminha em tensão expectante. Oxalá toda a Igreja espere, porque em nós ressoa a voz do Apóstolo Paulo que nos grita com clamores de júbilo: Gaudete in Domino semper, iterum dico, gaudete! Alegrai-vos sempre no Senhor, novamente vos digo, alegrai‑vos!
Há hoje na Missa uma surpresa: a cor rosa, raramente vista na liturgia. É uma cor que quer dizer que nos encontramos em penitência, embora envolvidos em esperançosa alegria.
Neste domingo a Igreja revestida de cor rosa, proclama: Não andeis tristes, mas alegres! Não desespereis, mas esperançai! E depois, suavemente, diz a razão dessa alegria: Dominus enim prope est, Porque o Senhor está a chegar!
A Igreja alegra-se por pressentir levemente que o Senhor está a chegar. O Corpo místico de Cristo, estendido por toda a face da Terra canta neste Domingo o Gaudete in Domino!
É um canto na esperança.
(Chama 651, 16 de Dezembro de 2007)

Domingo Gaudete

Desde há muitos séculos este domingo é chamado o Domingo Gaudete, Domingo da alegria. É assim chamado porque o Senhor está próximo
e porque o Advento está a chegar ao fim. Fica a faltar apenas uma semana.
A antífona de entrada da Missa é composta por palavras de São Paulo aos Filipenses: «Estai sempre alegres, no Senhor; novamente vos digo: estai sempre alegres. O Senhor está a chegar.»
(Chama 651, 16 de Dezembro de 2007)

sábado, 8 de dezembro de 2007

Alguns ensinamentos de São João da Cruz

A alma que verdadeiramente ama a Deus, não deixa de fazer o que pode para achar o Filho de Deus, seu Amado. Mesmo depois de haver empregue todos os esforços, não se contenta e julga não ter feito nada.

A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida em sua liberdade e contemplação.

A pessoa que caminha com Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina as suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta acima.

O Amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado.

Se está em mim Aquele a quem minha alma ama, como não o encontro nem o sinto? É por estar Ele escondido. Mas não te escondas também; assim podes encontrá-Lo e senti-Lo...

Para possuir Deus plenamente, é preciso nada ter; porque se o coração pertence a ele, não pode voltar-se para outro.

O demónio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus.

(Chama 650, 9 de Dezembro de 2007)


AVISOS2: SÁBADO | 15

· 21:30 Concerto de Natal promovida pelo Coro Voces Carmeli. Com a participação da Orquestra-Tuna Sociedade Musical Santa Cecília.
A entrada é gratuita.
(Chama 650, 9 de Dezembro de 2007)