segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

QUARTA-FEIRA DE CINZAS (III)


8 de Fevereiro
21:00 Igreja do Carmo de Aveiro
VIGÍLIA PENITENCIAL JOVEM


Quem vive na opulência e não reflecte
é semelhante aos animais que são abatidos.
(Salmo 49:21)



Na primeira volta da segunda escada
voltei-me e vi lá em baixo
o mesmo vulto enrodilhado no corrimão
sob os miasmas que no fétido ar boiavam
combatendo o demónio das escadas, oculto
em dúbia face de esperança e desespero.
Na segunda volta da segunda escada
deixei-os entrançados, rodopiando lá em baixo;
nenhuma face mais na escada em trevas,
carcomida e húmida, como a boca
imprestável e babugenta de um ancião,
ou a goela serrilhada de um velho tubarão.
Na primeira volta da terceira escada
uma túmida ventana se rompia como um figo
e além do espinheiro em flor e da cena pastoril
a silhueta espadaúda de verde e azul vestida
encantava maio com uma flauta antiga.
Doce é o cabelo em desalinho, os fios castanhos
tangidos por um sopro sobre os lábios,
cabelos castanhos e lilases;
frémito, música de flauta, pausas e passos
do espírito a subir pela terceira escada,
esmorecendo, esmorecendo; esforço
para além da esperança e do desespero
galgando a terça escala.

Senhor, eu não sou digno
Senhor, eu não sou digno

mas dizei somente uma palavra.


T. S. Eliot (1888-1965)
Tradução de Ivan Junqueira

domingo, 27 de janeiro de 2008

Oração pela unidade dos cristãos


Meu Deus, sabeis que amo a vossa Igreja!
Porém vejo... que noutros tempos a vossa Igreja teve, quer na vida civil quer na vida humana mais ampla, um enorme e nobre papel, ao passo que hoje não tem nenhum.
Meu Deus, oxalá que a vossa Igreja fosse mais compreensiva, mais estimulante. Meu Deus, a vossa Igreja é tão latina e está tão centralizada!
É verdade que o Papa é o «doce Cristo na terra»,
e que nós só vivemos de Cristo, vinculados a Cristo. Porém, Roma não é o mundo; nem a civilização latina, nem a humanidade.
Meu Deus, Vós criastes o homem e só podeis receber um louvor digno (ou o menos indigno) se multiplicais... as raças e as nações.
Meu Deus! Vós quisestes que a vossa Igreja, desde o seu nascimento, falasse diversas línguas... a fim de que a verdade fosse inteligível a todos os ouvidos humanos.
Meu Deus, dilatai os nossos corações! Fazei que a humanidade nos compreenda e que também nós compreendamos a humanidade!

Meu Deus!
Não sou mais que um pobre pequeno;
Porém, Vós podeis dilatar e abrir o meu coração à medida das necessidades do mundo. À medida das necessidades que os vossos olhos vêem, que são muitas, muitas mais que aquelas que eu possa aqui dizer.
Meu Deus! É urgente que nos deis muitos trabalhadores, trabalhadores que, sobretudo, tenham um grande coração...
Há muito trabalho para fazer.
Meu Deus! Fazei a minha alma conforme à vossa Igreja. A vossa Igreja é ampliíssima e prudente, rica e prudente, imensa e prudente.
Meu Deus! Já chega de banalidades, pois não temos tempo para nos entretermos com banalidades!
Oh! Meu Deus!
Há tanto trabalho para fazer!
Como é ingente a União das Igrejas!

Porque é que, meu Deus, a vossa Igreja, que é santa e única, santa e verdadeira, tem frequentemente um rosto austero e carrancudo, quando, na verdade, está cheia de juventude e de vida?
A verdade, meu Deus!, é que o rosto de Deus somos nós; somos nós que construímos a sua visibilidade.
Concedei, meu Deus, à vossa Igreja um rosto verdadeiramente vivo. Eu gostaria muito de ajudar os meus irmãos a contemplar o verdadeiro rosto da Igreja!
Meu Deus, é verdade que existem erros em todas as confissões cristãs. Porém, como permitis que a vossa Igreja feche os olhos à Verdade para a qual todas caminham?... Porque não acendeis nos seus olhos o fulgor da inteligência e da coragem, que são o segredo da Esposa e sobretudo da Mãe?
Meu Deus! Como é difícil o trabalho pela União das Igrejas Cristãs! Como é pesada essa missão para ombros tão humanos!
Ajudai-nos! Alargai, purificai, iluminai, organizai, inflamai, enchei de prudência e avivai as nossas pobres almas! Amen.

(Chama 657, 27 de Janeiro de 2008)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

QUARTA-FEIRA DE CINZAS (II)

8 de Fevereiro
21:00 Igreja do Carmo de Aveiro
VIGÍLIA PENITENCIAL JOVEM


Quem vive na opulência e não reflecte
é semelhante aos animais que são abatidos.
(Salmo 49:21)


Senhora, três leopardos brancos sob um zimbro
ao frescor do dia repousavam, saciados
de meus braços meu coração meu fígado e do que havia
na esfera oca do meu crânio. E disse Deus:
viverão tais ossos?
Tais ossosviverão? E o que pulsara outrora
nos ossos (secos agora) disse num cicio:
raças à bondade desta Damae à sua beleza, e porque ela
a meditar venera a Virgem,
é que em fulgor resplandecemos. E eu que estou aqui dissimulado
meus feitos ofereço ao esquecimento, e consagro meu amor
aos herdeiros do deserto e aos frutos ressequidos.
Isto é o que preserva
minhas vísceras a fonte de meus olhos e as partes indigestas
que os leopardos rejeitaram. A Dama retirou-se
de branco vestida, orando, de branco vestida.
Que a brancura dos ossos resgate o esquecimento.
A vida os excluiu. Como esquecido fui
e preferi que o fosse, também quero esquecer
assim contrito, absorto em devoção. E disse Deus:
profetiza ao vento e ao vento apenas, pois somente
o vento escutará. E os ossos cantaram em uníssono
com o estribilho dos grilos, sussurrando:
Senhora dos silêncios
serena e aflita
lacerada e indivisa
rosa da memória
rosa do oblívio
exânime e instigante
atormentada tranquila
a única Rosa em que
consiste agora o jardim
onde todo amor termina
extinto o tormento
do amor insatisfeito
da aflição maior ainda
do amor já satisfeito
fim da infinita
jornada sem termo
conclusão de tudo
o que não finda
fala sem palavra
e palavra sem fala
louvemos a Mãe
pelo Jardim
onde todo amor termina.
Cantavam os ossos sob um zimbro, dispersos e alvadios,
alegramo-nos de estar aqui dispersos,
pois uns aos outros bem nenhum fazíamos,
sob uma árvore ao frescor do ~a, com a bênção das areias,
esquecendo uns aos outros e a nós próprios, reunidos
na quietude do deserto. Eis a terra
que dividireis conforme a sorte. E partilha ou comunhão
não importam. Eis a terra. Nossa herança.
T. S. Eliot (1888-1965)
Tradução de Ivan Junqueira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

QUARTA-FEIRA DE CINZAS (I)


8 de Fevereiro
21:00 Igreja do Carmo de Aveiro
VIGÍLIA PENITENCIAL JOVEM

Quem vive na opulência e não reflecte
é semelhante aos animais que são abatidos.
(Salmo 49:21)


Porque não mais espero retornar
porque não espero
porque não espero retornar
a este invejando-lhe o dom e àquele o seu projecto
não mais me empenho no empenho de tais coisas
(Por que abriria a velha águia suas asas?)
por que lamentaria eu, afinal,
o esvaído poder do reino trivial?
Porque não mais espero conhecer
a vacilante glória da hora positiva
porque não penso mais
porque sei que nada saberei
do único poder fugaz e verdadeiro
porque não posso beber
lá, onde as árvores florescem e as fontes rumorejam,
pois lá nada retorna à sua forma
porque sei que o tempo é sempre o tempo
e que o espaço é sempre o espaço apenas
e que o real somente o é dentro de um tempo
e apenas para o espaço que o contém
alegro-me de serem as coisas o que são
e renuncio à face abençoada
e renuncio à voz
porque esperar não posso mais
e assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
de que me possa depois rejubilar
e rogo a Deus que de nós se compadeça
e rogo a Deus porque esquecer desejo
estas coisas que comigo por demais discuto
por demais explico
porque não mais espero retornar
que estas palavras afinal respondam
por tudo o que foi feito e que refeito não será
e que a sentença por demais não pese sobre nós
porque estas asas de voar já se esqueceram
e no ar apenas são andrajos que se arqueiam
no ar agora cabalmente exíguo e seco
mais exíguo e mais seco que o desejo
ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
ensinai-nos a estar postos em sossego.
Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte
rogai por nós agora e na hora da nossa morte.

T. S. Eliot (1888-1965)
Tradução de Ivan Junqueira

domingo, 20 de janeiro de 2008

Novena ao Menino Jesus de Praga


No segundo Domingo do Tempo Comum celebramos na nossa comunidade do Carmo de Aveiro a festividade do Divino Menino Jesus de Praga. Com nossos pais São João da Cruz e S. Teresa de Jesus aprendemos a amar a contemplação dos mistérios da Incarnação e Santa Infância do Menino Jesus.
Aqui fica uma novena para ser rezada ao longo dos nove dias antecedentes ao 25 de cada mês.

PRIMEIRO DIA
Ó dulcíssimo Menino Jesus, consciente da minha pequenez prostro-me a Vossos pés e me dirijo a Vós, porque sois todo meu. Preciso muito de Vós, ó Jesus.
Lançai-me o vosso olhar cheio de ternura. Vós que sois omnipotente, vinde socorrer-me nas minhas necessidades.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.
Oração de todos os dias: Pela vossa divina infância, ó Jesus, concedei-me a graça que insistentemente vos peço (faz-se o pedido), se for para meu bem e conforme a vossa vontade. Não olheis aos meus pecados, mas à minha fé, segundo a vossa misericórdia.

SEGUNDO DIA
Ó celeste esplendor do Pai em quem brilha a divindade, adoro-Vos profundamente
e confesso que sois verdadeiro Deus.
Ofereço-Vos a humilde homenagem de todo o meu ser. Não permitais que jamais me separe de Vós, ó Sumo Bem.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

TERCEIRO DIA
Ó Menino Jesus, ao contemplar a vossa face sinto uma grande confiança em Vós. Sim, eu espero tudo da vossa bondade.
Ó Jesus, lançai sobre mim e sobre os meus as vossas graças. Assim poderei cantar infinitamente a vossa misericórdia.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

QUARTO DIA
Ó Jesus, reconheço-Vos como meu soberano absoluto. Não quero servir outro senhor, nem as minhas paixões nem os meus pecados. Reinai, ó Divino Rei, no meu pobre coração e tornai-o vosso para sempre.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

QUINTO DIA
Eu Vos contemplo, ó dulcíssimo Redentor, revestido dum manto de púrpura. É o vosso uniforme real: como ele me recorda o sangue! Sangue que foi derramado por mim.
Fazei, ó Jesus, que eu corresponda a tão grande sacrifício e não recuse nenhum
sofrimento por vossa causa.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

SEXTO DIA
Ó amabilíssimo Menino, ao contemplar-Vos segurando o mundo o meu coração inunda-se de alegria. Também me sustentais a mim em todos os momentos de minha vida,
e me guardais como vossa propriedade.
Cuidai de mim, ó Jesus, e socorrei-me em todas as minhas necessidades.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

SÉTIMO DIA
Sobre o vosso peito, ó Menino Jesus, brilha uma cruz: eis o estandarte de nossa redenção! Ó Divino Salvador, também eu tenho a minha cruz! Mas ela é bem mais leve que a vossa. Ainda assim eu me angustio muito.
Ajudai-me a carregá-la, para que eu possa colher os seus frutos. Bem sabeis, Divino Reizinho, o como sou fraco.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

OITAVO DIA
Sob a cruz, vislumbro no vosso peito,
ó Menino Jesus, a imagem de vosso pequenino coração. Vós sois o verdadeiro amigo,
que generosamente vos repartis e imolais por todos os vossos irmãos que são objecto do vosso terno amor.
Enchei-me o vosso amor, ó Jesus, e ensinai-me a corresponder aos vossos apelos.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

NONO DIA
A vossa mão direita é poderosa,
ó Menino Jesus! Quantas bênçãos derramais sobre aqueles que Vos honram e Vos invocam!
Abençoai-me também a mim e bendizei toda minha vida. Abençoai os meus desejos e socorrei-me em todas as necessidades.
Escutai, benigno, os meus pedidos e eu bendirei o vosso Santo Nome todos os dias da minha vida.
Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

(Chama nº 656 de 20 Janeiro 2008)

Uma oração para a Semana da Unidade

Senhor, dai-me serenidade para aceitar
o que eu não posso mudar;
dai-me coragem para mudar
o que pode ser mudado;
e dai-me sabedoria para discernir
uma e outra coisa.

Fazei que eu me contente
em viver um dia de cada vez;
que eu aproveite bem o momento presente;
que aceite as dificuldades como sendo
o caminho que me leva à paz;
que eu aceite, como vós aceitastes, este mundo pecador tal como ele é
e não como eu gostaria que fosse;
que eu me volte para Vós,
pois cumprireis tudo o que é bom,
se eu me abandonar à vossa vontade.

Concedei-me ser feliz nesta vida e conhecer, na vida eterna,
a felicidade suprema de estar
convosco para sempre. Amén.

Reinhold Niebuhr
(inspirando-se em João XXIII)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A Casa de Vila Real


Chegou-me hoje às mãos um considerável tomo de investigação histórica intitulado A CASA DE VILA REAL E A CONSPIRAÇÃO DE 1641 CONTRA D. JOÃO IV.
A autora, D. Mafalda de Noronha Wagner, Marquesa de Vagos e Representante da Casa de Vila Real, licenciada em História pela Faculdade de Letras da UL, dedicou ao tema e à causa os últimos 10 anos da sua vida.
Fazemos merecedor eco deste trabalho porque D. Beatriz de Lara, benfeitora da nossa Comunidade, é filha dos primeiros duques de Vila Real e a seu pedido encontra-se sepultada no presbitério da nossa Igreja do Carmo.
De D. Beatriz de Lara conservamos grata memória. Os séculos passaram mas em nós, Carmelitas, não se esvaiu o reconhecimento e a gratidão.

De menor fôlego mas de igual apreço e consideração e em boa hora a Confraria de Nossa Senhora do Carmo promoveu a edição duma monografia sobre a ilustre figura da nossa benfeitora. Dela falaremos posteriormente.

A Comunidade parabeniza D. Mafalda de Noronha Wagner por esta obra em que luz a Casa de Vila Real e agradece-lhe a oferta dum exemplar do livro.

MUITO OBRIGADO

Muito obrigado a todos os que com carinho, fé e generosidade nos abriram as portas do coração e nos abençoaram com a sua estima e amizade.
Que Deus Todo-poderoso vos pague e torne a nossa vida merecedora de rezar por vós
.

7 NOITES, 7 TEMAS: O FILHO PRÓDIGO


Segunda-feira, dia 14, pelas 21:00h
O Grupo Adoramus Te convida os jovens da nossa comunidade para uma noite de reflexão e oração em torno ao relato do Filho Pródigo. Animação orientada pelos Missionários Verbum Dei.

CANTAR DE REIS

(pode cantar-se com a música Abençoa, Senhor, a família)

Mais uma ano passou e de novo está em meu lar,
Este grupo que nunca se esquece de os Reis vir cantar.
Traz consigo a fé e a bênção de Nosso Senhor
Enchem a nossa casa de felicidade e amor.

Não sei onde ir buscar as palavras para agradecer
Estes lindos momentos de paz e grande prazer.
E por isso a todos o nosso muito obrigado,
Por de nós nesta noite tão bela se terem lembrado.

Abençoa, Senhor, a Família Carmelita.
Abençoa, Senhor, para sempre bendita!

Peço ao Pai, ao Espírito Santo e também a Jesus
Que o novo ano que agora começa vos encha de luz.
Tenham tudo de bom: Paz, saúde e muita alegria.
É o que rogo a Deus para vós neste tão lindo dia!

E desejo a todos os Frades da Congregação,
Frei Silvino, Frei Rui e também para o Frei João:
Alegrias sem fim e que a vossa vida seja
Muito longa, para bem da fé dos cristãos desta Igreja.

Santos Reis de 2008
Odete Trindade e João Trindade