quinta-feira, 13 de março de 2008

20 de Março | Quinta-feira Santa

Celebração da Ceia do Senhor

O caminho da Paixão do Senhor está assinalado pelos sinais que Ele nos deixou. — «Compreendeis o que Eu vos fiz?», pergunta àqueles que O desejam seguir. No coração da Eucaristia, os sinais do vinho e do pão introduzem-nos na presença do seu Corpo e Sangue.

08:00 Oração de Laudes

18:30 Celebração da Ceia do Senhor

Tempos de adoração:
19:30 - 20:30 • Coral Cântico Espiritual
20:30 - 21:00 • Aspirantes ao Carmo Secular
21:00 - 21:30 • Lauda Carmeli
21:30 - 22:00 • Coral Voces Carmeli
22:00 - 22:30 • Adoramus Te
22:30 - 23:00 • Ministros e Leitores
23:00 - 23:30 • Visitadoras dos doentes
23:30 - 24:00 • Fraternidade do Carmo Secular

00:00 Oração a Jesus Encarcerado.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Serviço de Confissões na Semana Santa (*)


DIA 17 SEGUNDA-FEIRA SANTA
>> 09:00H - 11:00H
>> 16:00H - 18:00H

DIA 18 TERÇA-FEIRA SANTA
>> 09:00H - 11:00H
>> 16:00H - 18:00H

DIA 19 QUARTA-FEIRA SANTA
>> 09:00H - 11:00H
>> 16:00H - 18:00H

DIA 20 QUINTA-FEIRA SANTA
>> 09:00 - 10:00
>> 16:00 - 18:00

DIA 21 SEXTA-FEIRA SANTA
>> 10:00 - 12:00
>> 16:00 - 18:00

DIA 22 SÁBADO SANTO
>> 10:00 - 12:00
>> 17:00 - 18:00

(*) Nota:
Também atenderemos em outros momentos, desde que nos seja possível. Basta que chame à Campainha ou que marque pssoalmente com um sacerdote por telefone (234 422 319)

segunda-feira, 10 de março de 2008

DIA 15 - FESTA DE SÃO JOSÉ

Por questões de organização do calendário litúrgico
a Festa de São José tem lugar este ano no dia 15 de Março.
Na nossa comunidade vamos celebrá-la solenemente
na tarde do dia 14 de março, Sexta-feira;
e na manhã do dia 15, Sábado.

domingo, 9 de março de 2008

Patriarca São José: Campeão da fé. Actuante silencioso. Humilde e homem coerente!


São José, campeão da fé:
A vida de São José foi completamente uma vida baralhada por Deus. Deus baralhou-o e voltou a dar, sempre e como quis. As misteriosas iniciativas de Deus (que nunca o visavam pessoalmente a si, mas a salvação da Humanidade — que para isso nasceu o Menino Jesus!) embaralharam-no muito e sempre, e nunca lhe deram oportunidade de as entender.
São José deixou-se conduzir e não se furtou a ser embaralhado, porque era homem justo, e só merece o nome de justo quem vive da fé. Aonde queria levá-lo o Senhor? José não sabe! Deus não lhe disse. Nada lhe explica. E José, que faz? Obedece. Segue. Vai. Obedece, simplesmente. Disse sempre sim, com a vida; as palavras ficavam‑lhe caladas. Nunca teve perguntas a fazer, dúvidas a propôr, soluções a seguir, hesitações a ponderar. Obedeceu!

São José age no silêncio
Como é fecundo o silêncio! Não se lhe conhece uma palavra que tenha dito, uma dúvida, uma exultação, uma indecisão.
Deus fala e São José cumpre:
— «Não temas...»; e José não teme; todos os seus terríveis dramas logo se diluem.
— «Levanta-te...»; e José levanta-se do sono e faz-se ao caminho.
— «Regressa...»; e prontamente o vemos de regresso.
A sua resposta pronta aos sinais de Deus, mostra-nos a beleza da sua disponibilidade interior.

São José, o humilde
É maravilhoso o exemplo de Santo Patriarca. É o chefe da sua casa, mas perde o tempo a servir numa familiaridade feita de abandono e contínua dedicação. Jamais mede a vida de Jesus e a da Virgem pelas dificuldades a que obrigam; simplesmente coloca a sua vida ao serviço deles. Não vai para o Egipto quando lhe é cómodo, mas quando o interesse de Jesus assim o exige.

São José é um homem coerente
São José é um leigo, no sentido mais comum da palavra. É leigo em tudo, porque não exerce nenhuma função oficial: é um homem como todos, inserido a fundo nas realidades terrenas, para se oferecer como suporte à Encarnação do Verbo Divino. É pai do Sacerdote Eterno, mas ele mesmo é um simples leigo!
O Verbo Eterno encarna-se na família de que é chefe e vive a realidade das criaturas humanas, na condição mais universal, que é a do trabalho e da pobreza. E São José ensina-nos como podemos constituir o nosso serviço numa oblação a Cristo, para aumento do seu Reino no mundo.
A sua autoridade não é a de um poder triunfalista, mas algo, que deriva do interior. Ele faz-nos compreender que o conteúdo do Reino é servir, e ajuda-nos a colaborar na salvação dos que crêem Cristo, e a Cristo obedecem e confiam.

Pela iniciativa de Deus, São José encontra-se inserido, de forma muito comprometida, no mistério da Encarnação do Verbo:
· É o marido da Virgem Maria;
· Será o pai putativo do Menino Jesus;
· Comandará a família de Nazaré; sustentá‑la-á com o seu trabalho; defendê-la-á e protegê‑la-á sem protagonismo, deixando a Deus esse encargo;
· É o maior protector da mais alta e sagrada virgindade, a da Virgem Maria, e da pureza do Filho de Deus. E como fez? Cuidando da santidade de Jesus e da de Maria, para logo desaparecer aos olhos de todos, excepto do olhar deles.
Deixou-se envolver pelo Senhor e conduzir por caminhos misteriosos. Renunciou a entender e aceitou crer; renunciou a chefiar e aceitou obedecer. No entanto, acreditando, deixou-se conduzir pelo Espírito Santo que, juntamente com Jesus e Maria o introduziram, dum modo particularmente íntimo, no mistério da Encarnação e da nossa Salvação.
São José, é o amabilíssimo padroeiro e defensor da vida espiritual. Pelo seu trato com Jesus ele sabe como ajudar-nos a ser amantes do Coração de Jesus e a ser agradáveis aos olhos de Deus.
Quanto maior fôr o número dos que nos esquecem melhor será, porque neste nosso desaparecer aos olhos de todos e, ao mesmo tempo, ao nossos olhos, melhor o nosso egoísmo saberá como perder-se na adoração humilde, no silêncio fecundo, na fragante beleza e infinita grandeza do Deus único e Senhor nosso.

(Chama nº 663­ - 09 Março ’08)

sábado, 1 de março de 2008

As se7e palavras de amor de Jesus na Cruz

A meditação das sete palavras de Jesus na Cruz é uma antiga tradição espiritual, que parece pouco arraigada na tradição devocional portuguesa. Ou talvez o tenha sido e eu não tenha alcançado essa época.
A verdade é que não encontrei ainda textos lusos sobre o tema. O que recolho e medito vem de outras fontes.


1. TENHO SEDE
(João 19:28)
Tenho sede, disseste, Senhor.
E o teu grito trespassa os nossos ouvidos
e invade o nosso interior
com o alcance da lâmina que alcança a divisão
do espírito e da alma.
Tu, o dador de Água Viva, tens sede!
O teu grito é o de muitos homens e mulheres.
De uma e outra margem e de todas as margens
são muitos os que gritam:
«Tenho fome! Tenho sede!
Preciso de atenção e de amor! Procuro a paz!»
E nós, Senhor, como Tu, ficamos em silêncio,
com todos os sedentos.
Dá-nos a tua sede, dá-nos o teu amor, Senhor.

2. PAI, PERDOA-LHES PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM
(Lucas 23:24)

Diante das tuas palavras, Senhor,
nós ficamos calados e sem palavras.
Como é possível tanta ternura e misericórdia!
Na tarde do amor,
serenamente, ponho-me diante de Ti, Senhor;
diante de teu olhar deponho os meus segredos.
Ensina-me a perdoar sempre, como Tu perdoas.
Que a paz nasça no meu coração:
que dele brote o amor e o perdão para todos.

3. EU TE DIGO: HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO
(Lucas 23:43)

Hoje sabemos de ciência certa
que podemos contar com o teu amor.
Hoje é o teu amor quem nos espera.
Hoje sai ao nosso encontro a tua palavra,
surpreendente e fiel.
A cada pessoa Tu ofereces um pedaço de tempo
e um caminho novo;
e todos nós que andamos como perdidos,
somos, afinal, únicos no teu coração.
No dia do amor
acolhemos a tua promessa de vida
e a certeza de que a tua palavra
acende a esperança em nossos corações.

4. MULHER, EIS O TEU FILHO... EIS AÍ A TUA MÃE
(João 19:26-27)

Uma palavra e um olhar... para a tua Mãe.
Outrora na gruta de Belém, agora na cruz,
sempre está presente a tua Mãe.
Olhamos a cena em silêncio:
Maria junto à cruz, disposta à dor e ao amor.
E próximo dela e o discípulo amado,
e no discípulo amado estamos todos nós,
amados e acompanhados pela ternura da Mãe.

5. MEU DEUS, MEU DEUS, PORQUE ME ABANDONASTE?e?
(Marcos 15:34)

Dói-me o teu ‘porquê?’ dito naquela hora difícil.
Porém, Senhor, também me consola.
Com frequência, da minha boca saem porquês:
são tantas as coisas que eu não entendo!
Apesar de tudo confiaste ao Pai,
e invoca-l’O com carinho,
porque o amor pode mais que o ódio,
a luz que as trevas.

6. PAI, NAS TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO
(Lucas 23:46)

Reparo agora como a cada recanto do caminho
Tu te sentias bem em dizer Pai.
Agora, no fim, repete-lo com emoção: Pai!
E num abandono confiado
pões a tua vida nas suas mãos
E o perfume do teu corpo partido espalha-se
pelo mundo inteiro para sempre.
Estás sem alento nos pulmões, e és a Vida!
Tens os pés destroçados, e és o Caminho!
As palavras presas na garganta, e és a Verdade!

7. TUDO ESTÁ CUMPRIDO
(João 19:30)
Esta foi, Senhor, a Tua última palavra na terra.
É o teu ámen ao Pai.
A tua morte não é o fim. É o começo.
Em breve chegará o milagre do Espírito Santo,
a festa dos dons.
As chuvas estão quase a terminar
e já se vêem os rebentos das videiras.
Oh!, já se ouve pelos montes a voz do Amado!
A loucura do teu amor por nós
tem ainda lugar na nossa história.
Ó que belo final!
Obrigado, Senhor!
Ámen!

(Chama 662 -­ 02 Março ’08)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Procissão dos Passos

No domingo Terceiro da Quaresma cumpriu-se o ritual da Procissão do Senhor dos Passos. O acontecimento deu-se uma semana depois do agendado. A razão do adiamento foi a chuva na tarde do dia 17 de Fevereiro.
Todos compreendemos que uma Procissão dos Passos se faça compaçadamente e não a correr. Essa é a razão para não sair se o tempo estiver incerto. Assim foi, assim se fez. E bem. Como manda a cartilha do bem fazer. Aqui fica o registo fotográfico.
O fotógrafo Florival Franco é amador, mas ainda assim com mérito.
Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo. Que pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.


















domingo, 24 de fevereiro de 2008

— Dá-me, Senhor, dessa água!

Era um encontro de jovens em Agosto. Em Agosto os jovens costumam encontrar-se na praia, ou em passeios de inter-rail. Poucos vão até um convento... O lugar do encontro era em Segóvia, no convento que São João da Cruz construiu e agora guarda os seus ossos pequeninos.
Foi no dia 13 ou 14 de há alguns anos atrás.
Ali os dias são quentíssimos, a paisagem é de restolho ressequido; ouvem-se corvos ou gralhas todo o dia voando e grasnando por cima da Igreja de Nossa Senhora da Fuencisla. Estes são tantos e tão insistentes que quando chega a noite e se calam, nós serenamos e sentimo-nos melhor. Em chegada a noite também ficamos melhor porque a temperatura desce e o ambiente fica mais fresco. Durante o dia conseguimos sentir-nos bem, mas é preciso evitar aquele sol agreste e ficar dentro das grossas paredes do Convento de São João da Cruz. Elas transmitem‑nos paz, devolvem-nos os ecos longínquos dos passos do nosso Santo Padre e defendem-nos do calor intempestivo que se faz sentir no coração da alta meseta ibérica.
Foi, pois, ali, à sombra da memória de São João da Cruz e na frescura daquele convento que alguns jovens portugueses e outros tantos espanhóis fizemos um encontro. Nesse dia de que quero falar abandonámos o convento pela manhã enquanto o sol era meigo e não ameaçava esturricar ninguém. Calcorreamos caminhos de pó durante uma caminhada ligeira e silenciosa por entre restos de searas, de campos enormes, amarelecidos e barrentos que se estendiam por horizontes vastíssimos. Parámos bem antes do meio-dia, bem antes do sol queimar. Parámos sem termos visto vivalma e sob as únicas árvores que se viam em muitos quilómetros em volta.
Antes de merecermos almoçar um papo seco com um chouriço de peles duras, ficamos reunidos à volta dos textos de São João da Cruz.
Passámos ali a tarde, e nem havia como sair, pois quem abandonasse a protecção das árvores logo sentia a ameaça dos raios do sol atingindo‑nos como setas. Chegamos a casa cansados e suados, com os corpos a suspirar por um banho.
Antes da ceia que é lá pelas nove da noite (!) estava prevista uma hora de oração. E lá fomos. No meio da frescura da capela estava uma vela no chão e ao lado, ligeiramente mais alta, uma tina de água límpida e fresca.
Quero lembrar que entre nós havia um basco ou catalão, não me lembro, de 17 anos, que ninguém sabia ao que viera. Estava ali tão deslocado como um peixe a apanhar banhos de sol. Não sabia nada daquilo. Não sabia nem rezar nem o que era um convento nem porque tínhamos de nos juntar a horas certas e fazer tudo junto. Como já não recordo o seu nome chamemos-lhe Rufo. Apesar de destoar Rufo era simpático, embora quase só falasse de bebedeiras de vinho!
Naquela tarde foi também à oração. Como todos nós. A oração começou e foi decorrendo junto ao Poço de Jacob, onde Jesus se encontrou com a Samaritana e lhe pediu de beber; onde Jesus foi remoçando o coração ressequido daquela mulher que Santa Teresa de Jesus diz ser S. Maria Madalena, acabando ela a pedir ao Senhor sem verdadeiramente saber o que pedia:
— Dá-me, Senhor, dessa água!
Era assim entre cânticos, a leitura do Evangelho e dos apelos da nossa Santa Madre a nos abeirarmos da Água Viva, que ia decorrendo a oração. Ali, naquela tarde, se traçava em oração, o itinerário de fé que cada um de nós é chamado a percorrer: Jesus aproxima-se a desejar a fé e o amor de cada um de nós. Depois, no encontro pessoal, é reconhecido e acolhido como a única água que pode matar a nossa sede.
A certa altura, depois duma breve meditação, foi cada um de nós até junto da água e não tinha mais que fazer que aquilo que quisesse fazer: olhar, tocar, santiguar-se... Creio que havia um cântico que cantávamos em castelhano, pedindo como a Samaritana: Dá-me, Senhor, dessa água. O cântico ia decorrendo e a fila aproximava-se lentamente da tina de água e cada um cumpria o ritual pouco mais que sugerido e conforme era capaz. Dali regressávamos aos nossos lugares e calmamente acompanhávamos o cântico em portunhol (língua usada pelos portugueses nestes encontros bilaterais).
Ninguém reparou que Rufo era o último. Mas todos vimos que ficou muito tempo diante da água. E nós cantando. Ficou ali, imóvel, impressionado. Depois, ajoelhado, deu um grande sorvo antes de lavar a cara. O cântico parou mas ali deve ter nascido um santo, pois no restante do encontro o rapaz já não foi mais igual!
(Ignoro o que posteriormente se passou com a vida de Rufo; se ficou a gostar mais de vinho ou de água. Mas o que é certo é que se naquela tarde não foi tocado pela sede de Deus, fomo-lo nós perante o seu gesto tão inesperado.)

(Chama n.º 661 -­ 24 Fevereiro ‘08)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Procissão dos Passos adiada

A Irmandade dos Passos informa todos os devotos e demais interessados que a Procissão do Bom Jesus dos Passos que se deveria realizar neste Domingo II da Quaresma, dia 17 de Fevereiro, teve de ser suspensa por causa da ameaça de chuva, como se veio a verificar.
E informa também que, como é costume, a Procissão se realizará no próximo Domingo, dia 24, pelas 16:00h.
Assim Deus queira e ajude.
Muito obrigado.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

JESUS, O AMIGO DOS AMIGOS

Segunda-feira, dia 18 de fevereiro, continua o ciclo de conferências 7 Noites - 7 Temas. O terceiro convidado para animar a nossa reflexão e oração será o Frei Silvino Teixeira, Carmelita Descalço da nossa Comunidade.
O ensinamento decorrerá na Sala do Antecoro da nossa Igreja e tem início pelas 21:00h. Esta reflexão estará subordinada ao tema: «Jesus, o amigo dos amigos». A conferência tem como destinatários os jovens adultos.

O que significa seguir os passos de Jesus?

Charles M. Seldon escreveu um livro que se chama:«Nos seus passos, que faria Jesus?» No primeiro capítulo encontra-se lá história que segue. É uma boa história para meditarmos neste segundo domingo da Quaresma, dia da procissão dos Passos do Senhor.
Era Sexta-feira e o Pastor Henrique Maxwell, protestante, ainda não tinha pronto o sermão de Domingo. Foi interrompido tantas vezes que começou a angustiar-se. O tempo passava e ele pensava que não teria o sermão pronto. Pretendia ele demostrar no seu sermão como a fé em Cristo ajuda a salvar vidas, por causa do modelo de carácter que Ele deixou para ser imitado.
Por fim o Pastor chegara ao términus do sermão e já recapitulava quando ouviu o toque da campainha. Estava só. Franziu a testa. E ficou ali sem responder à campainha. Mas logo de seguida ela voltou a tocar. Levantou-se então e foi até a janela. Um homem estava de pé nos degraus. Era jovem e vestia roupas esfarrapadas. Parecia um mendigo.
— Estou desempregado, senhor, e pensei que talvez me pudesse indicar algo para fazer.
— Não conheço nenhum emprego disponível. Está difícil encontrar trabalho, disse Maxwell.
— Eu sei, mas o senhor talvez pudesse me recomendar alguma coisa, prosseguiu nervoso.
— Por favor, queira perdoar, estou muito atarefado. Espero que encontre alguma coisa.
O Reverendo Maxwell fechou a porta e ficou a ouvir os passos do homem a afastar-se. Em seguida voltou ao seu trabalho. Não houve nenhuma outra interrupção e duas horas depois o sermão estava, de facto, terminado. Estava tudo pronto para Domingo. Iria pregar sobre seguir a Cristo, seguir os seus passos, imitar o seu sacrifício e exemplo.
No Domingo a pregação correu bem. Tudo correu bem: a pregação, os cânticos, as resposta da assembleia. Aliás, siderada, a assembleia susteve a tempo o ímpeto para aplaudir o seu brilhante Pastor.
Henrique Maxwell era considerado um grande orador, não pelo que dizia, mas pela forma como se expressava. O seu jeito era muito apreciado. Isso dava ao pregador e aos ouvintes uma agradável distinção. A verdade é que o Pastor gostava muito de pregar. Mal chegava o Domingo, ele ansiava estar no seu ambão para pregar. Eram minutos deliciosos, sobretudo se a assembleia era numerosa. Se era escassa, ele esmorecia e enfadava-se. Não era tão brilhante.
Por fim, o sermão, recheado de frases admiráveis, terminara. De repente, no meio daquela perfeita consonância aconteceu uma interrupção incomum. A assembleia ia cantando:
«Tudo, ó Cristo, a Ti entrego;
Tudo, sim, por Ti darei!»
Foi nesse momento que se ouviu a voz de um homem vinda do fundo do templo. Antes que alguém entendesse o que se passava, o homem foi até ao ambão e disse:
— «Estive a pensar se seria apropriado eu falar. Digo-vos que não estou bêbado, não sou louco e sou incapaz de causar qualquer mal a alguém; mas, se eu vier a morrer, o que poderá acontecer nos próximos dias, quero sentir a satisfação de ter falado num lugar como este e diante de pessoas como vós.»
O Pastor Maxwell não chegara a sentar-se. Estava atónito. Aquele era o homem que tinha ido à sua casa na última Sexta-feira. Estava com o velho chapéu entre as mãos. Não tinha feito a barba, o cabelo estava em desalinho. Era um maltrapilho. Porém, nenhuma pessoa se mexia.
«Não sou um vagabundo comum. Perdi o meu emprego há dez meses. Sou tipógrafo de profissão. As novas máquinas são uma óptimas, mas sei de seis colegas que se suicidaram no período de um ano, por causa destas máquinas. Nunca aprendi outra coisa; isto é a única coisa que sei fazer. Não estou a reclamar, estou apenas a relatar os factos. Mas o que me intriga é saber se o que vocês chamam “seguir a Jesus” é a mesma coisa que Ele ensinou? O Pastor disse: “é necessário que o discípulo siga os passos de Jesus!” E depois disse quais são esses passos: obediência, fé, amor e imitação. Porém não o ouvi dizer o que significam esses passos. O que é que os cristãos entendem por “seguir os passos de Jesus”?
«Andei por esta cidade nos últimos três dias tentando encontrar um emprego; e não encontrei uma palavra de conforto, excepto a do Pastor, que disse estar pesaroso pela minha situação. Não acuso ninguém, apenas narro factos. Não peço nada, apenas estou confuso a respeito do significado de “seguir os passos de Jesus”. Fico confuso quando vejo tantos cristãos vivendo confortavelmente e cantando: “Por Jesus deixarei tudo”!
«Bem, parece que não entendo as vossas coisas. Mas, o que faria Jesus? O que é que vocês entendem por “seguir os passos de Jesus”?»
Havia um enorme silêncio na assembleia quando o estranho se calou. O Pastor estava lívido e calado. Já ninguém sentia frémito por bater palmas.
De repente, o estranho abandonou ambão. Deu uns passos trôpegos em direcção ao altar. Apoiou-se nele com uma das mãos. Cambaleante passou a outra sobre a testa febril e suada e, sem uma palavra ou gemido, caiu, diante de todos, desamparado no chão.

(Chama 660 ­- 17 Fev 2008)