sábado, 14 de março de 2009

OS NOVOS VENDILHÕES DO TEMPLO

Como reageria Jesus se hoje visitasse as nossas Igrejas? Não haverá demasiadas pessoas que fazem da Igreja um lugar de comércio? Não haverá cristãos, certamente bem intencionados, que se tornam causa de escândalo para outros irmãos?

Estava perto a festa da Páscoa. Como todos os anos Jesus subiu a Jerusalém, como certamente faria na festa do Pentecostes e na festa dos Tabernáculos ou festa das tendas.
No Templo, e à sua volta, encontravam-se os negociantes de bois, cabritos, ovelhas, rolas e pomba. Igualmente estavam os agiotas que trocavam siclos judaicos por dracmas gregas e denários romanos, naturalmente cobrando a sua comissão, tudo para que os fervorosos judeus que vindo de longe, ou de perto, pudessem oferecer os seus sacrifícios, cumprir as suas promessas. Tudo contribuía para que o átrio contíguo ao lugar sagrado, o chamado pátio dos gentios, se converte-se numa verdadeira feira, com os seus pregões, mas se incomodava alguns judeus mais piedosos, era consentido pelos sacerdotes e levitas, acostumados ademais a outros negócios menos claros.
Perante este buliçoso cenário Jesus sentiu-se indignado, e com toda a razão já que para o povo escolhido o Templo não era somente o lugar de culto por excelência, mas também o símbolo da presença de Deus entre o seu povo. Eis que então faz um chicote de cordas, e
deitando por terra o dinheiro, derrubando as mesas dos cambistas, expulsa os vendedores de ovelhas e bois, e num tom mais sereno, diz aos que vendiam pombas: "Tirai tudo isto daqui; não façais da casa e meu Pai casa de comércio".
Este gesto de Jesus significa uma solene desautorização do culto no Templo!
Converter o Templo em lugar de negócios é o mesmo que utilizar a Igreja para fins políticos ou a missa para tranquilizar a consciência, ou as palavras de Jesus para defender posições pessoais, pois pretendemos pôr Deus ao nosso serviço, e isso é que Jesus condena veemente, pois não tolera que a relação de amor entre Deus e o homem se converta em negócio de interesses!
Jesus anuncia uma nova via para esta relação de amor entre Deus e o homem: já não será o templo o lugar de encontro de ambos, mas sim o próprio homem, isto é, no homem é onde se encontra Deus e onde o homem pode encontrar a Deus, e assim o novo Templo é o próprio Jesus Cristo, porque n’Ele se realiza plenamente esta presença de Deus no homem.
Ele é o santuário de Deus que será destruído - pela violência dos homens – mas depois reerguido pela força de Deus.
Jesus substitui o templo de Jerusalém pelo seu corpo ressuscitado, erguido pela força de Deus que é o Espírito Santo. Desse corpo todos os crentes são membros vivos, unidos ao mesmo pela fé. A casa de Deus, o verdadeiro templo, é Cristo e todos que se incorporam a Cristo pela fé: a Igreja.
Mas Deus também está em cada um de nós, e, assim, como diz São Paulo, também nós somos templo de Deus, e podemos estar cientes que o enérgico zelo de Jesus pelo Templo de pedra, de Jerusalém, é muito maior pelo templo que é cada homem, porque em cada homem está Cristo!
Também este deveria ser o zelo de cada cristão! Oprimir, desprezar, maltratar um homem, é um sacrilégio, porque cada homem é um templo de Deus. É no homem onde é maltratado, desprezado, oprimido Jesus Cristo, Deus presente no mesmo homem!
No entanto, cabe-nos perguntar: como reageria Jesus se hoje visitasse as nossas Igrejas? Não haverá demasiadas pessoas que fazem da Igreja um lugar de comércio? Não haverá cristãos, certamente bem intencionados, que se tornam causa de escândalo para outros irmãos, talvez mais débeis na fé, devido às suas atitudes e comportamentos?
Mas também há hoje quem queira silenciar a Igreja, opinando sobre tudo, mas não permitindo que a Igreja exponha as suas ideias, a sua doutrina!

sábado, 7 de março de 2009

AVISOS

DOMINGO 08
» 16H.00: Sairá da nossa Igreja do Carmo a Procissão do Senhor Jesus do Passos, que depois de percorrer o itenerário habitual regresserá à nossa Igreja seguindo-se o Sermão do Calvário.
(Se o tempo não o permitir, será transferida para o próximo Domingo, dia 15.)

SEXTA 13
» 18h.00: Realizar-se a habitual devoção da Via Sacra

OFERTÓRIO PARA A CÁRITAS
O ofertórias das missas do próximo fim de semana, destina-se à Cáritas Portuguesa

DIA MUNDIAL DA MULHER
Celebra-se hoje, 8 de Março, o dia mundial da mulher. As todas as mulheres desejamos um dia feliz!

PROCISSÃO DOS PASSOS

No segundo Domingo da Quaresma, realiza-se, todos os anos, a Procissão dos Passos da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos, erecta nesta nossa Igreja do Carmo.
Ao longo dos anos os zelosos membros da Mesa da Direcção têm-se esforçado por manter viva esta tradição, e preservar o brilho que a mesma foi adquirindo, o que é de louvar, pelo que também lhe devemos mostrar a nossa gratidão, pelo bom desempenho no seu ministério, que se traduz igualmente numa forma de apostolado.
De facto, esta secular Procissão (sim, já tem vários séculos), foi instituída para fomentar a devoção ao Senhor dos Passos.
Aqui deixamos um artigo dos seus estatutos:
Art. 3.º - Em ordem à consecução dos seus fins, e na fidelidade à doutrina da Igreja e à sua plena integração pastoral na comunidade eclesial e na Diocese, a Irmandade procurará:
a) Promover a formação cristã dos irmãos, através de encontros, palestras e de outras iniciativas que visem o aprofundamento da fé, o espírito de oração, o crescimento na caridade e a corresponsabilidade eclesial;
b) Fomentar uma especial devoção ao Senhor dos Passos;
c) participar na transladação de Nossa Senhora da Soledade e na Procissão do Senhor dos Passos, na Festa da Exaltação da Santa Cruz e viver o Mistério da Cruz participando na Quaresma na devoção da Via Sacra e, se possível, nas celebrações da Semana Santa;
Colaborar, em união com outros organismos pastorais, no anúncio do Evangelho, segundo as orientações da Diocese e da Igreja;
e) Ser, como verdadeira Irmandade - associação de Irmãos - um elemento de união e comunhão, não apenas entre os seus associados, mas também entre todos os membros da Comunidade.
A Irmandade do Senhor Jesus dos Passos, além de sufragar os irmãos, na missa das 10h.00, durante a Quaresma, igualmente, manda celebrar uma missa em Novembo, mês das Almas, pelos irmãos falecidos.

TRÊS MONTES E TRÊS TENDAS

No monte Moriá Deus não permitiu que Abraão Lhe sacrificasse o seu filho, mas no monte Calvário, consente que os homens imolem Jesus Cristo, o Filho do mesmo Deus, porque Ele quer que todos os homens se tornem os filhos amados do Pai!
O segundo Domingo da Quaresma é o "domingo" da Transfiguração, pois todos os anos o trecho do Evangelho narra-nos esse acontecimento da vida de Jesus.
De vez em quando Jesus gostava de retirar-se para lugares isolados para rezar. Desta vez convida os seus discípulos mais íntimos e sobe a uma montanha. O evangelista não nos diz o seu nome, mas, provavelmente tratava-se do monte Tabor, uma alta colina que se erguia nas planícies da Galileia, da qual se podia comtemplar, ao longe, as azuladas águas do lago de Genesaré.
Para o caso não nos interessa o nome, mas sim conhecer o simbolismo do "monte", pois mais que um lugar físico interessa-nos conhecer a concepção que do mesmo se tinha na época. Então, o mundo era visto como uma superfície quadrada que flutuava sobre as águas inferiores, em cujo centro se elevava uma montanha cujo cume se aproximava à parte mais alta da abóbada celeste, sobre a qual Deus tinha o seu trono, e, certamente, esse era considerado o melhor lugar para orar.
Também, muitos anos antes Abraão tinha sido convidado por Deus a oferecer um sacrifício no monte Moriá, mas não era uma imolação qualquer...
Após ter deixado a sua terra, a casa de seus pais e a sua família, e se fixar na terra que o Senhor lhe indicara, com a promessa de ser pai de uma grande descendência, embora fosse de idade avançada, e sua esposa estéril, ia vendo concrectizar-se a promessa de Deus quando, finalmente, Sara, sua esposa, lhe dera um filho. Agora é o mesmo "Deus da Promessa" que lhe pede que suba ao monte Moriá e lhe ofereça em sacrifício o seu único filho, a quem tanto amava!
Certamente que não foi fácil a decisão de Abraão, escolher entre a ordem de Deus e o amor que nutria por seu filho Isaac, mas ele preferiu escutar a voz de Deus que tantas felicidades lhe concedera do que a voz do coração... Quando Abraão, depois de ter atado o seu filho e o colocar no altar, puxava do cutelo para imolar o seu filho, ouviu a voz do Anjo de Deus que lhe disse: "Abraão, Abraão! Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum!".
A História da Salvação é um diálogo com Deus. Não é um idílio, ainda que seja um diálogo de amor. Mas o amor é exigente, como nos mostra a figura de Abraão: foi um homem que teve de renunciar ao seu passado, à sua pátria e aos seus parentes; um homem que agora deve renunciar ao seu futuro. E, agora, é o mesmo Deus, que lhe prometera que seria o pai de uma grande descendência, que lhe exige o sacrifício do seu único filho. Abraão, esperando contra toda a esperança, põe o seu filho nas mãos de Deus, isto é, põe o seu própio futuro nas mãos de Deus. Abraão é posto è prova, mas deposita a sua fé em Deus!
Também hoje Jesus sobe a um monte, levando consigo Pedro, Tiago e João. Diantes deles tranfigura-Se, e aparece a falar com Ele Moisés e Elias.
A grandiosidade do cimo do Tabor encheu-se com a luz que Cristo irradiava. Toda a glória que se escondia detrás do véu da sua humanidade deixou-se ver por uns instantes. Foi tanto o resplendor daquela transformação que os apóstolos extasiados, não sabiam sequer o que se passava. Um gozo inefável os enchia por dentro, e a Pedro só lhe ocorreu dizer: "Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias"; já não queriam deixar aquele lugar, porque receberam em primícia a visão beatífica, já estavam, se assim o podemos dizer, na ante-sala do Céu!
Eis então que aparece uma núvem, e fez-se ouvir uma voz, acontecendo uma nova teofania: "Este é o meu Filho muito amado: escutai-O".
A Transfiguração, dizem os exegetas, tinha como fim esclarecer os discípulos, para que não caíssem na incredulidade, quando Jesus passasse pelo suplício da Cruz.
Se no monte Moriá Deus não permitiu que Abraão Lhe sacrificasse o seu filho, mas antes, que lhe oferecesse em sacrifício um carneiro, que o Patriarca, providencialmente, encontrara preso pelos chifres num silvado, no monte Calvário, sim, consente que os homens imolem Jesus Cristo, o Filho do mesmo Deus, porque Ele quer que todos os homens se tornem os filhos amados do Pai!

domingo, 1 de março de 2009

AVISOS

QUINTA 05
Primeira Quinta-feira do mês
» 17H.45: Adoração do Santíssimo. Nesta oração, orientada pelos Ministros Extraordinários da Comunhão, rezaremos pelas vocações, particularmente pelas vocações à nossa Ordem.

SEXTA 06
»18H.00: Devoção da Via Sacra
»21H.00: Oração a Nossa Senhora da Soledade
»21H.30: Procissão da Senhora da Soledade da Igreja do Carmo para a Igreja da Vera Cruz

SÁBADO 07
» 21h.00: Visita às Igrejas do Carmo e Vera Cruz, onde serão entoados os cânticos do "Miserere"

DOMINGO 08
» 16H.00: Sairá da nossa Igreja do Carmo a Procissão do Senhor Jesus do Passos, que depois de percorrer o itenerario habitual regresserá à nossa Igreja seguindo-se o Sermão do Calvário

COMENTÁRIO

Todos os anos, no primeiro Domingo da Quaresma, a leitura do Evangelho fala-nos das tentações de Jesus. Neste Ciclo B, São Marcos, ao contrário dos outros sinópticos, não nos diz quantas foram as tentações, e sobretudo, não diz que Jesus sentiu fome.
Diz-nos que foi o Espírito quem O conduziu ao deserto, era tentado por Satanás, que vivia com os animais selvagens e que os Anjos O serviam.
Também hoje é o Espírito quem conduz de novo a Igreja o Deserto. A Quaresma, que iniciamos, é o grande convite a deixarmo-nos conduzir ao deserto, seduzidos por Deus; caminhamos para a Páscoa para renovar a nossa fé, para nos renovarmos a nós próprios e para levar a vida nova a todos os lugares onde quer que nos encontremos.
Ao dizer que Jesus vivia com os animais selvagens e que os Anjos O serviam, Marcos apresenta-nos Jesus como o novo Adão. Este foi submetido à prova, como o primeiro. Mas enquanto o primeiro Adão tinha duvidado da promessa divina, como refere o livro do Génesis, Jesus, sai vencedor. O primeiro sucumbira, mas Jesus mantém-se obstinadamente confiado e submisso. Assim demonstra merecer de modo perfeito o título recebido no seu baptismo: "Filho amado do Pai", e deste modo Jesus restaura a imágem que o primeiro Adão deitara a perder com o seu pecado.
A presença de Jesus durante quarenta dias no deserto, evoca, também, os quarenta anos que o povo hebreu vagueou no deserto desde a libertação do Egipto até entrar na terra prometida. Nesse longo caminho o povo hebreu, perante as dificuldades e as provações a que esteve sujeito, revoltou-se contra Deus, não sabendo aceitar os seus planos divinos.
Finalmente podemos ver na estadia de Jesus no deserto a nossa própria peregrinação aqui na terra, a caminho da Pátria Celeste. Também nós temos de conviver com os "animais selvagens", isto é com o pecado; sentimos fome e desânimo e somos tendos pelo Demónio. Perante isto temos dois caminhos: não confiar em Deus, como o primeiro Adão, ou pôrmo-nos nas mãos do Pai como Jesus.

QUARESMA: ORAÇÃO, ESMOLA E JEJUM

NESTE PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA, QUE É UM CAMINHO DE TREINO ESPIRTUAL MAIS INTENSO PARA A PÁSCOA, CARACTERIZADO PELAS prÁTICAS PENITENCIAIS DA ORAÇÃO, DA ESMOLA E DO JEJUM, AQUI DEIXAMOS ALGUNS EXCERTOS DA MENSAGEM QUARESMAL DE BENTO XVI QUE NOS EXPLICAM O SENTIDO DESSES GESTOS
No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal).
Gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» . Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei, como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Horeb, assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.
Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor recomenda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás». Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O "não comas" e, portanto, a lei do jejum e da abstinência»
Dado que todos estamos entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus». O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção.
O mesmo fizeram os habitantes de Nínive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» . Também então Deus viu as suas obras e os poupou. No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Divino Mestre, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á». Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus».
O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai. Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.
O jejum é uma prática frequente recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica».
Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus. Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos».

sábado, 21 de fevereiro de 2009

AVISOS

DOMINGO 22
» 17h.30: Adoração das Quarenta horas

SEGUNDA 23
São Policarpo, Bispo e mártir (MO)
» Adoração das Quarenta Horas das 19h.00-21h.45

TERÇA 24
» Adoração das Quarenta Horas das 19h.00-21h.45

QUARTA 25 (Quarta-feira de Cinzas)
» Início da Quaresma
» Nas missas desse dia haverá a imposição das Cinzas
» Dia de jejum e abstinência

QUINTA 26
Quinta-feira do Menino Jesus
» 18H.00 : Coroinha do Menino Jesus de Praga

SEXTA 27
» 18H.00: Devoção da Via Sacra

FOME DE DEUS

A Quarta-feira de Cinzas é a porta da Quaresma. Nesse Dia a Igreja convida-nos ao jejum (e abstinência). Aqui deixamos um excerto da mensagem do nosso Bispo para Quaresma que nos recorda o sentido desse(s) gesto(s):
"Também eu quero propor-vos, amados diocesanos, a redescoberta do valor desta prática tradicional que nos abre à fome de Deus e, hoje, revela grande actualidade em virtude das precárias condições sociais e económicas que muitas pessoas e a própria sociedade vivem.
O jejum, enquanto prática cristã, faz parte da nossa relação com Deus que cria em nós a disposição de nos abrirmos à graça da renovação, deixando tudo o que nos impede de sermos homens novos com os sentimentos de Jesus Cristo. A privação voluntária de bens e a educação para a sobriedade pretendem libertar o coração para acolher este dom e corresponder-lhe tanto individual como comunitariamente.
Quando bem vivido, o jejum ajuda a criar a unidade interior em cada um de nós, a auto-dominar-nos face a tudo o que nos pode desviar da nossa vocação cristã e a crescer na intimidade com o Senhor. Evita a dispersão e faz-nos mais pessoas. O jejum solidário expressa uma dimensão da comunhão dos santos, pois a privação voluntária e livre redunda em benefício de quem está em necessidade ou defende causas justas.
A partilha quaresmal, fruto também deste jejum solidário, será destinada em partes iguais a dois projectos de grande alcance: a construção da Casa Sacerdotal do nosso clero e a ajuda para com a Igreja irmã de Benguela que desde há vários anos partilha com Aveiro o dom dos seus sacerdotes, encontrando-se neste momento na nossa Diocese dois sacerdotes do seu presbitério. Sejamos generosos, dentro das nossas possibilidades."

MÉDICO DA ALMA E DO CORPO

Hoje necessitamos também de cristãos comprometidos e solidários, cimentados na amizade cristã, nos quais possamos manter e fortalecer a fé em Jesus salvador e médico dos corpos e das almas
Depois de ter curado o leproso Jesus regressa a Cafarnaum, e hospeda-se, provavelmente, em casa de Simão Pedro. As casas judaicas daquele tempo tInham quase sempre um pátio traseiro. Do mesma saía uma escada até ao quarto principal, coberto por um tecto de lousas, canas e barro.
Como de costume juntou-se à sua volta uma multidão de pessoa, impedindo o acesso de quem quer que fosse. Entretanto chegam quatro homens trazendo num catre um paralítico, e como a multidão impedia o acesso do paralítico, resolvem entrar por trás, sobem ao telhado, levantam as telhas e fazem descer o enfermo para junto de Jesus.
Jesus louva a fé daqueles homens, e compadece-se do paralítico: "Filho, os teus pecados são-te perdoados". Era o pior mal que aquele pobrezinho padecia, a paralisia da alma. De facto um só pecado é mais daninho para o homem que todas as doenças juntas. Oxalá, recuperemos hoje o sentido do pecado tantas vezes esquecido.
As palavras de Jesus provocaram uma onda de protesto interior: "Quem é Ele para falar assim? É uma blasfémia, pois só Deus pode perdoar os pecados". E tinham razão para assim pensar, já que não acreditavam na divindade de Jesus, e é verdade que só Deus tem o supremo poder para perdoar os pecados. Mas Jesus tinha esse poder porque era Deus, e para o provar, cura miraculosamente o paralítico, corroborando assim as suas palavras com as obras.
O paralítico, que por si só e contando unicamente com as suas forças não podia aproximar-se de Jesus, representa a humanidade que está longe de Deus e é incapaz não só de providenciar a própria cura como inclusive de se aproximar d’Aquele que lhe a pode proporcionar. Por isso recorre a quatro amigos que com a sua generosidade, e habilidade, o levam até Jesus.
Os pecadores, representados pelo paralítico, não estão em condições de encontrarem a Cristo sozinhos, mas têm a necessidade de que outros, que já tenham experimentado a força paliativa da sua palavra, têm n’Ele uma fé indefectível. O paralítico nunca teria chegado até Jesus se quatro homens, cremos que familiares ou amigos, não o tivessem conduzido até Cristo.
Hoje necessitamos também de cristãos comprometidos e solidários, cimentados na amizade cristã, nos quais possamos manter e fortalecer a fé em Jesus salvador e médico dos corpos e das almas. Grupos formados por cristãos dispostos a compreender e a compreender-se, a ajudar e a ajudar-se sincera e gratuitamente. O bom discípulo de Cristo está sempre disponível para ajudar o próximo e a deixar-se ajudar pelos demais, mas devemos dirigir a nossa ajuda preferencialmente aos mais necessitados, dentro ou fora da nossa comunidade.
Hoje na nossa sociedade há muitos "paralíticos" que necessitam da nossa ajuda para se aproximarem de Deus; sozinhos não o podem fazer, talvez porque os empeçam os preconceitos familiares e sociais ou, quem sabe, alguma situação mais desagradável no seio da Igreja, ou pela influência mediática da imprensa ou da televisão.
Temos pela frente muito caminho a desbravar; temos que erradicar da nossa maneira de ser a maneira de pensar daqueles escribas que que se escandalizaram com as palavras de Jesus; temos que eliminar a desconfiança que nos leva a duvidar de tudo e de todos, temos de nos libertar dos nossos auto-conhecimentos que nos levam a rejeitar tudo o que nos cheira a novidade.
Hoje devemos reconhecer-nos paralíticos, e dispostos a aproximarmo-nos de Cristo, pelas nossas próprias forças ou com a ajuda de alguns verdadeiros amigos, com a humildde de quem também quer ser curado!
Vamos, dentro de dias, na próxima Quarta-feira, chamada das Cinzas, iniciar a Quaresma, que é um tempo de reflexão, conversão, de mudança de vida, um oportunidade única, ainda que todos os anos se repita, um momento para reconhermos que também estamos doentes, "paralíticos", e nos aproximarmos de Jesus (não é necessário ir a Cafarnaum, porque Ele, vem até nós), e podermos ouvir dos seus lábios as amáveis palavras: " Levanta-te, toma a tua enxerga e anda". Então também poderemos dizer: "Nunca vimos coisa assim".