Como reageria Jesus se hoje visitasse as nossas Igrejas? Não haverá demasiadas pessoas que fazem da Igreja um lugar de comércio? Não haverá cristãos, certamente bem intencionados, que se tornam causa de escândalo para outros irmãos?

Estava perto a festa da Páscoa. Como todos os anos Jesus subiu a Jerusalém, como certamente faria na festa do Pentecostes e na festa dos Tabernáculos ou festa das tendas.
No Templo, e à sua volta, encontravam-se os negociantes de bois, cabritos, ovelhas, rolas e pomba. Igualmente estavam os agiotas que trocavam siclos judaicos por dracmas gregas e denários romanos, naturalmente cobrando a sua comissão, tudo para que os fervorosos judeus que vindo de longe, ou de perto, pudessem oferecer os seus sacrifícios, cumprir as suas promessas. Tudo contribuía para que o átrio contíguo ao lugar sagrado, o chamado pátio dos gentios, se converte-se numa verdadeira feira, com os seus pregões, mas se incomodava alguns judeus mais piedosos, era consentido pelos sacerdotes e levitas, acostumados ademais a outros negócios menos claros.
Perante este buliçoso cenário Jesus sentiu-se indignado, e com toda a razão já que para o povo escolhido o Templo não era somente o lugar de culto por excelência, mas também o símbolo da presença de Deus entre o seu povo. Eis que então faz um chicote de cordas, e
deitando por terra o dinheiro, derrubando as mesas dos cambistas, expulsa os vendedores de ovelhas e bois, e num tom mais sereno, diz aos que vendiam pombas: "Tirai tudo isto daqui; não façais da casa e meu Pai casa de comércio".
Este gesto de Jesus significa uma solene desautorização do culto no Templo!
Converter o Templo em lugar de negócios é o mesmo que utilizar a Igreja para fins políticos ou a missa para tranquilizar a consciência, ou as palavras de Jesus para defender posições pessoais, pois pretendemos pôr Deus ao nosso serviço, e isso é que Jesus condena veemente, pois não tolera que a relação de amor entre Deus e o homem se converta em negócio de interesses!
Jesus anuncia uma nova via para esta relação de amor entre Deus e o homem: já não será o templo o lugar de encontro de ambos, mas sim o próprio homem, isto é, no homem é onde se encontra Deus e onde o homem pode encontrar a Deus, e assim o novo Templo é o próprio Jesus Cristo, porque n’Ele se realiza plenamente esta presença de Deus no homem.
Ele é o santuário de Deus que será destruído - pela violência dos homens – mas depois reerguido pela força de Deus.
Jesus substitui o templo de Jerusalém pelo seu corpo ressuscitado, erguido pela força de Deus que é o Espírito Santo. Desse corpo todos os crentes são membros vivos, unidos ao mesmo pela fé. A casa de Deus, o verdadeiro templo, é Cristo e todos que se incorporam a Cristo pela fé: a Igreja.
Mas Deus também está em cada um de nós, e, assim, como diz São Paulo, também nós somos templo de Deus, e podemos estar cientes que o enérgico zelo de Jesus pelo Templo de pedra, de Jerusalém, é muito maior pelo templo que é cada homem, porque em cada homem está Cristo!
Também este deveria ser o zelo de cada cristão! Oprimir, desprezar, maltratar um homem, é um sacrilégio, porque cada homem é um templo de Deus. É no homem onde é maltratado, desprezado, oprimido Jesus Cristo, Deus presente no mesmo homem!
No entanto, cabe-nos perguntar: como reageria Jesus se hoje visitasse as nossas Igrejas? Não haverá demasiadas pessoas que fazem da Igreja um lugar de comércio? Não haverá cristãos, certamente bem intencionados, que se tornam causa de escândalo para outros irmãos, talvez mais débeis na fé, devido às suas atitudes e comportamentos?
Mas também há hoje quem queira silenciar a Igreja, opinando sobre tudo, mas não permitindo que a Igreja exponha as suas ideias, a sua doutrina!

