quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Muito obrigado!


Há cinco anos atrás, neste mesmo Sábado, no fim desta Eucaristia, informei-vos das obras que estariam para começar. Disse nessa altura, mais ou menos isto: «As telhas estão podres, os caibros estão a ruir, as paredes estão estragadas, chove dentro da Igreja, chove dentro do Convento, entra vento, frio e calor e os bichos convivem com os frades. Senhor Engenheiro David Leite não deixe cair esta igreja. Faça as obras que aqui falta fazer e depois faça também um Convento novo onde os frades possam viver.»
Claro que estava quase tudo preparado para começar. Aquelas palavras — como ele bem entendeu, e depois mo disse — só queriam dizer que as obras eram de todos: dos frades desta Comunidade e de todos os fiéis leigos Carmelitas. Isto é, de todos vós. Ele seria, enfim, o ponta de lança do compromisso da comunidade laical carmelitana de Aveiro. Foi isso que ele bem entendeu e fez.
Passados cinco anos, terminadas as obras que nos propusemos [Não é por faltarem cinco pedras, quatro marteladas e três pinceladas que eu vou dizer que elas não estão acabadas.] dizia, terminadas as obras que nos propusemos, cumpre-me a mim, Superior desta Comunidade, pôr a última pedra, ou como quem diz, a última palavra.

E esta palavra são duas: MUITO OBRIGADO!

Muito obrigado a Deus Nosso Senhor, que é sempre bom. Se todos concordarem comigo, todos juntos diremos que foi muito bom estar na re--construção da nossa Igreja do Carmo e do nosso Convento, porque o fogo que ardia no coração da nossa Santa Madre Teresa de Jesus não era outro que o de ver nascer casas onde Deus e Nossa Senhora fossem muito honrados, porque muito feridos e desonrados são em muitíssimas outras!

Muito obrigado a Nossa Senhora do Carmo, que é sempre Mãe e Irmã nossa. Foi por Ela. E foi para que Ela se sinta bem no nosso meio. Deu-nos uma casa nova onde nos sentimos bem, e nós demos-lhe uma igreja renovada, uma coroa, opas novas da sua Confraria, capas brancas da Fraternidade, uma nova cruz processional e também um barco! Afinal, ela é a Capitã das nossas vidas e trabalhos.

Muito obrigado à Equipa Técnica do senhor Arquitecto Francisco Simões que riscou e arriscou nestas obras. Nunca é fácil tocar num monumento com quase quatrocentos anos. E porque estamos no século XXI também não é tarefa cómoda erguer um convento. Hoje já não são muitos a saber o que é um convento. E são menos os que sabem riscá-los. Pelo bem que fez, muito obrigado ao senhor Arq. Francisco Simões.

Muito obrigado à Soianenses, na pessoa do senhor Agostinho Ferreira. Na Soianenses não vejo hoje só uma construtora civil; vejo amigos e até um complemento da nossa família do Carmo. Alegra-me saber que em tempos difíceis as suas famílias comeram do pão que aqui amassaram e nós abençoamos. E alegra-me muito que nem um operário aqui se tenha ferido! Nem um! [Se deram marteladas nos dedos foi só para lembrar que as segundas-feiras costumam ser dias difíceis!].

Muito obrigado a todos colaboradores e benfeitores. Uns perderam muito tempo com estas obras e outros perderam muitíssimo. Uns inquietaram--se muitos com as obras, mas outros perderam muitíssimo sono por causa delas. Só Deus sabe quem mais perdeu. Só Deus sabe quem mais ganhou. Só Deus sabe quem mais amou. Só Deus sabe qual a oferta que mais Lhe agradou.
Eu e a Comunidade estamos agradecidos. Simplesmente agradecidos.
As obras só puderam ser feitas com as benfeitorias que nos fizeram. Elas chegaram-nos de Aveiro e seus arredores; de Braga, de Viana e das gentes das outras Comunidades carmelitanas, como a de Avessadas [Que tem hoje aqui uma representação e me dão uma grande alegria por escutarem estas palavras!].

Ouvi muitos comprazimentos com as obras. E ouvi muitos conselhos. «Faça assim». «Não se esqueça daquilo». «Olhe bem por aquelas pedras». E ouvi e oiço também muitos elogios. As imperfeições — que as há! — ficam serenamente diluidas no muito bem que se fez. Quero, por isso, agradecer também aquilo que vós não calastes, o que nos aconselhastes, o que em nós confiastes.

Alguém me dizia ontem o provérbio: «Se queres desejar mal ao teu vizinho, deseja-lhe obras em casa». Sim. As nossas obras foram um mal necessário que nós suportamos com garbo, com brio, orgulho, sacrifício, ânimo, paciência, garra e gosto. Eu desejei-me este mal a mim mesmo. Embora talvez, talvez não soubesse que haveria tanto pó, ruído, desconforto, frio, vento, reuniões, decisões, dores de cabeça, susto e até lágrimas.

Mas valeu a pena, porque esta é obra de Deus. Deus andou aqui connosco: andou nos nossos trabalhos, no meio do pó e dos andaimes, nas reuniões, nos estiradores e computadores, nas orações e dores de cabeça. Que a sua bênção nunca nos abandone. Pois até agora nunca nos abandonou.
Agora que terminaram as obras, falta repetir o que Jesus ensinou a dizer aos servos que apenas cumprem o que lhes foi mandado: «Sou um servo inútil, só fiz o que devia ter feito» (Lc 17:10). E dizer estas, que são minhas: Sou um servo inútil, só fiz aquilo que me beneficia.
Agora que terminaram as obras, falta também recordar que há mais obras por fazer. Falta a boa obra que cada um tem de fazer da sua vida e da sua família. E faltam as obras no edifício do ex-Convento que nos foi devolvido. Serão feitas quando Deus quiser, quando Ele mandar. Porque é Ele quem manda. Nós só somos servos!

Mas convém aqui recordar hoje que dentro de seis anos, em 2013, se celebram os quatrocentos anos da fundação deste Convento do Carmo. Nessa data nem todos estaremos aqui, mas, desde já, todos poderemos ajudar a celebrar essa data feliz da história da nossa Comunidade do Carmo e da história da cidade de Aveiro.
O que fizermos há-de ser sempre por Deus e por Nossa Senhora do Carmo. Eles é que são os senhores. São Eles quem mandam. E já que mandam, que mandem. Que mandem! Porque há aqui quem obedeça bem e quem construa bem.
Por isso, rezamos:
Divino Menino Jesus de Praga - Abençoai-nos!
Nossa Senhora do Carmo - Rogai por nós!
S. Padre João da Cruz
S. Madre Teresa de Jesus
S. Teresinha do Menino Jesus
São Rafael de S. José Kalinowski
Bem-aventurado Redento da Cruz
Bem-aventurada Isabel da Trindade
Todos os Santos e Santas do Carmo,
Todos os Santos e Santas de Deus,
Viva a nossa Mãe do Céu!
Viva Nossa Senhora do Carmo!
Viva a Senhora do Carmo!


Homilia do Sábado da Procissão de Nossa Senhora do Carmo,
14 de Julho de 2007
Frei João Costa
(Chama 640, 22 de Julho de 2007)

Uma bandeira pequenina

Nesta Festa de Nossa Senhora do Carmo de 2007, hasteamos a nossa bandeira como sinal de reconhecimento, agradecimento e cidadania. Não hasteamos apenas uma, mas seis. Porque somos cidadãos europeus, portugueses e aveirenses. Porque somos Igreja unida ao Bispo de Roma, inscritos na Diocese de Aveiro e somos não mais que uma pequena gotinha.
É isso que somos, uma pequenina gotinha. Não pretendemos ser mais do que somos, mesmo se, chegada a manhã, corremos o risco de ver chegar também o sol que queima a gota. Porém, somos também conscientes de que se tirássemos todas as gotas ao mar, até o mar deixaria de ser o imenso mar. E ainda: somos uma pequenina gota, mas dispostos a deixar de o ser, quando fôr chegada a hora de prestar contas do serviço que, sem mais, houveramos de fazer.
Passemos, brevemente, à descrição dos elementos que constituem a nossa bandeira:
AS CORES CASTANHO E O BRANCO
Um galão de um belo castanho térreo circunda o branco imaculado da bandeira. Estas sãos as cores naturais da Ordem do Carmo a que pertencemos. Branco, porque em esperança somos já concidadãos da família do Céu; castanho, porque muito em nós é ainda baixo e sujo, ainda que campo fértil onde desponta a santidade.

E UMA GOTA AZUL
No centro e seio da bandeira está inscrita uma grande gota de água. É azul esta gota. Azul de mar e azul de ria; azul de céu e azul de água azul. Porque estamos em Aveiro este azul tem todas estas cambiantes que banham e refrescam a nossa alma. Mas é ainda o azul de Nossa Senhora, que desde a sua conceição imaculada se veste de céu; e cuja afirmação e defesa deste privilégio teve nos Carmelitas a primeira iniciativa. E também azul, porque a Senhora do Carmo é Marinheira e corajosa Loba dos Mares; e ainda Stella Maris, estrela e guia serena; e ainda Stilla Maris, pequena gotinha de água do mar, como nós, mas sem mancha do salitre do pecado. Ela é nossa e do nosso povo; é pequenina como nós e nossa honra.

E DOIS MOLICEIROS E UM MONTE
Os moliceiros são de Aveiro e da nossa Ria. É por isso que ali estão, porque é aqui que nós estamos. É nestas margens que vivemos, rezamos, abençoamos, peregrinamos, confessamos. As duas proas apostas frente a frente, perfazem um monte: o Carmelo. Desse monte vimos, ali nascemos e jamais dele perdemos a memória. E esse é também o místico Monte para onde peregrinamos. Enquanto isso, bem sabemos só lá verdadeiramente haveremos de ver a glória de Deus, que resplandece noite e dia sem cansar nem se cansar.

E UMA CRUZ
No cimo do Monte do Carmo jamais falta uma cruz. Ela é o nosso sinal, o sinal que por mínimo que seja maximamente nos identifica. É ela que anunciamos, seja escândalo para uns ou perturbação para muitos. Na cruz esteve suspensa a Vida, que com a sua morte nos regalou a salvação. Por ela temos a certeza da ressurreição. A sua presença jamais em nós pode ser esquecida ou obnubilada.

E TRÊS ESTRELAS
DUAS DOURADAS E UMA PRATEADA
O Escudo do Carmo tem três estrelas. Naturalmente que as transplantamos para a nossa bandeira do Carmo de Aveiro. As duas douradas significam os nossos pais. Foram eles quem receberam do Espírito Santo o dom fundacional que nos gerou. Pela sua maternidade e paternidade espiritual deram à luz para o serviço da Igreja uma família que a ama e serve pela oração e pela contemplação. Nosso pai São João da Cruz e nossa mãe S. Teresa de Jesus são os nossos maiores e os nossos melhores, por isso orgulhosamente os inscrevemos a ouro nos brasões que erguemos.
A estrela prateada evoca mais uma vez a Imaculada, a Mãe do Céu e do Carmo, que nos deu o Santo Escapulário. Evoca ainda a primeira igrejinha dedicada à Senhora do Carmo e a gruta onde o Profeta Elias contemplava o Senhor.
(Chama 639, 15 de Julho de 2007)

Festas de Nossa Senhora do Carmo


30 Junho
Vinde,peregrinemos com Maria

· Peregrinação Carmelitana a Fátima

07 Julho
Vinde,permaneçamos unidos na família de maria
· Início da Novena de Nossa Senhora do Carmo

09 a 14 Julho
Vinde, permaneçamos unidos na escola de maria
· 08.00h Missa de Nossa Senhora do Carmo
· 21.00h Oração Mariana
· 21.30h Missa de Nossa Senhora do Carmo

12 Julho
Vinde, seremos examinados no amor!
· 08.00h Missa em sufrágio dos defuntos
devotos de Nossa Senhora do Carmo
· 21.00h Oração Mariana
· 21.30h Missa em sufrágio dos defuntos
devotos de Nossa Senhora do Carmo

14 Julho
Vinde, caminhemos confiantes com Maria até Jesus
· 08.00h Missa de Nossa Senhora do Carmo
· 17.00h Consagração das crianças
· 21.00h Solene Procissão
de Nossa Senhora do Carmo
Missa de Nossa Senhora do Carmo

15 Julho
Vinde, celebremos o dia do Senhor
· 10.00h Missa festiva
· 11.30h Missa festiva
· 18.00h Oração Mariana
· 18.30h Missa festiva

16 Julho
Vinde, alegremo-nos com a glória do Carmo

· 08.00h Missa da Solenidade
· 18.00h Oração Mariana
· 18.30h Missa da Solenidade
Procissão ao Adro da Igreja
Consagração à Senhora do Carmo

19 Julho
Vinde,honremos Mãe da Divina Graça

· 08.00h Missa da memória de Nª Sª do Carmo
· 18.00h Terço
· 18.30h Missa da memória de Nª Sª do Carmo

20 Julho
São Elias, Profeta inspirador do Carmo
· 08.00h Missa da Festa de São Elias
· 18.00h Terço
· 18.30h Missa da Festa de São Elias

26 Julho
S. Ana e S. Joaquim: pais de Nossa Senhora do Carmo
e avós do Menino Jesus

· 08.00h Missa de Santa Ana e São Joaquim
· 18.00h Terço
· 18.30h Missa de Santa Ana e São Joaquim
Bênção dos avós
Encerramento das festas do Carmo
(Chama 638, 08 de Julho 2007)

Filhos do Carmo

Escutai a nossa oração, ó Senhora do Carmo,
filha de Israel e Mãe de Deus.
Rezai connosco, vós que foste filha, mãe adorável e esposa fiel.
Nós vos oferecemos os filhos do Carmo,
especialmente os que passaram por esta Comunidade
e já partiram ao encontro do Pai,
para que encontrem a paz e a luz que sempre ansiaram.

Pedimos a vossa benção materna para os nossos pais:
Que a vossa solicitude os acompanhe sempre
para que as suas mãos fortes nos abençoem
e os seus lábios beijem os nossos filhos.

Protegei os jovens casais:
abençoai cada marido e cada esposa,
para que se mantenham firmes no seu rumo.
Nós vos pedimos a bênção para os nossos filhos
e para os filhos que hão-de nascer dos nossos filhos.
Sede o farol que nos guia seguro e certeiro
até ao porto seguro da Casa de Deus.

Ó Mãe de Jesus,
que em todos os momentos das suas vidas
eles encontrem em vós apoio e protecção,
e no vosso Divino Filho um amigo e fiel companheiro.
Que o vosso coração de Mãe os ampare nas dificuldades,
os encoraje nos desafios e os defenda contra as tentações.
Senhora do Carmo, Mãe da Igreja,
também vos confiamos os corações,
sonhos e anseios dos nossos jovens e adolescentes.
Animai muitos deles a servir Jesus
nos ministérios da Santa Igreja.

Que unidos ao vosso Filho eles sejam sal puro e luz perene,
sirvam de consolo e alentem tantos irmãos e irmãs
que percorrendo os caminhos do mundo,
anseiam por encontrar a Luz e a Verdade.
Amen.
(Chama 633, 03 de Julho 2007)