quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo da graça e da misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último.


No dia de hoje, um pouco por todo o mundo, as nossas Igrejas enchem-se de fiéis para participar na Eucaristia rezando pelos seus mortos.
Talvez uns o façam numa atitude de saudade daqueles que já partiram e, inclusive, não consigam deixar de verter umas lágrimas, com a triste recordação daqueles a quem perderam, sobretudo, quando a mágoa ainda está muito presente.
Se devemos aceitar e compreender tal comportamento, cremos, no entanto, que esse não é o modo mais correcto de viver este dia de "Fiéis Defuntos", porque este é um dia de fé, de esperança e, também, de caridade.
Para que possamos compreender, esta maneira de pensar, queremos expor alguns parágrafos do Catecismo da Igreja, que nos explicam um dos artigos do Credo Niceno-Constantinopolitano, que afirma: "Creio na ressurrreição da carne".
"Nós cremos firmemente, e assim o esperamos, que, tal como Cristo ressuscitou dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte viverão para sempre com Cristo Ressuscitdo, e que Ele os ressuscitará no último dia. Tal como a de Cristo, a nossa ressurreição será obra da Santíssima Trindade" (nº 989).
E o referido Catecismo no nº 992 e nº 993 prossegue: "A ressurreição dos mortos foi revelada progressivamente por Deus ao seu povo. A esperança na ressurreição corporal dos mortos impôs-se como consequência intrínsica da fé num Deus criador do homem total, alma e corpo. O Criador do Céu e da Terra é também Aquele que mantém a sua aliança com Abraão e a sua descendência. É nesta dupla perspectiva que começará a exprimir-se a fé na ressurreição [...] Os fariseus e muitos contemporâneos de Jesus esperavam a ressurreição. Jesus ensina-a firmemente. E aos saduceus, que a negavam, responde: ‘Não andareis vós enganados, ignoranando as Escrituras e o poder de Deus?’ A fé na ressurreição assenta na fé em Deus, que ‘não é Deus de mortos mas de vivos’ (Mc 12,27)" .
E continua: "Unidos a Cristo pelo Baptismo, os crentes participam já realmente na vida celeste de Cristo Ressucitado. Mas esta vida
continua ‘escondida com Cristo em Deus’ [...] Alimentados pelo seu Corpo na Eucaristia, nós pertencemos já ao Corpo de Cristo" (nº 1003).
Mais à frente é dito: "Graças a Jesus Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. ‘Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro’ (Fil 1,21)" (nº 1010), e prossegue: "Na morte, Deus chama o homem a Si. É por isso que o cristão, pode experimentar, em relação à morte, um desejo semelhante ao de S. Paulo: ‘Desejaria partir e estar com Cristo’ (Fil 1,23)".
E ensina-nos: "A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo da graça e da misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu último destino. Quando acabar ‘a nossa vida sobre a terra, que é uma só’ (LG 48), não voltaremos a outras vidas terrestres. ‘Os homens morrem uma só vez’ (He 9, 27). Não existe ‘reincarnação’ depois da morte" (nº 1013).
E, quase a terminar este tema, afirma o Catecismo da Igreja Católica: "A Igreja exorta-nos a prepararmo-nos para a hora da nossa morte. ‘Duma morte repentina e imprevista - livrai-nos, Senhor’ (Ladainha de Todos os Santos); a pedirmos à Mãe de Deus que rogue por nós ‘na hora da nossa morte’ (Oração de Ave-Maria); e a confiarmo-nos a S. José, padroeiro da boa morte" (nº 1014).
Confiando na misericórdia de Deus, hoje, e sempre, oremos pelos nossos defuntos.

1 comentário:

Profético - Estudos Bíblicos disse...

O maior milagre da (sua) história

A ressurreição de Jesus não foi apenas o mais extraordinário evento da história por seu caráter sobrenatural. A vitória do Filho de Deus sobre a morte provocou efeitos eternos, trazendo redenção à humanidade e apresentando o caminho “novo e vivo” (Hb 10:20) para a experiência espiritual. Contudo, a importância desse segundo aspecto da ressurreição, presente na formação das raízes e tradições da fé cristã, parece ter desvanecido com o tempo. As implicações práticas daquele milagre na vida dos que nascem de novo em Cristo cederam lugar ao utilitarismo e ao hedonismo.